<F+>

<T+1>

<hist. 8 s. cap. 18>

<272>

Captulo 18



A Ditadura Militar no Brasil



  De 1964 a 1985 o Brasil viveu a ditadura militar. O povo 

no escolhia os presidentes nem os governadores e o Congresso 

Nacional no podia controlar os generais presidentes. Os 

sindicatos, as universidades e os jornais eram vigiados pela 

polcia.

  Sempre houve resistncia ao regime: passeatas estudantis 

(1967-1968), guerrilha urbana e rural (1968-1974), 

mobilizao da sociedade civil (a partir de 1975): operrios, 

jornalistas, advogados, professores, camponeses, donas de 

casa, polticos e estudantes disseram no  ditadura.



<P>

<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*

    Figura: pessoas que manifes-  o

  tam contra a ditadura militar    o

  no Brasil e querendo o povo     o

  no poder.                        o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieie

<F+>



<273>

A poltica e a felicidade 



  Voc acha que sua felicidade pessoal depende do regime 

poltico do pas? Por exemplo, imagine que no Brasil houvesse 

uma ditadura. Ou seja, a populao no poderia escolher os 

governantes; o exrcito e a polcia estariam acima de 

qualquer lei (podendo prender e matar quem quisessem); os 

jornais estariam proibidos de criticar o governo. Voc acha 

que isso poderia alterar seu modo de vida? Voc seria 

infeliz? Ou a felicidade de uma pessoa no depende do regime 

poltico? Ser que a felicidade  apenas uma questo de opo 


individual, da capacidade que o indivduo tem de {conquistar 

seu espao}?

  Para duas geraes de jovens brasileiros (anos 60 e 70) no 

dava para ser feliz enquanto houvesse uma ditadura militar. E 

esses jovens foram  luta para enfrentar o regime. Outra 

poca, outras pessoas, outros ideais. Mas seriam to 

diferentes assim dos jovens de hoje?



O regime militar



  De 1964 a 1985 o Brasil viveu o perodo da _ditadura 

_militar. Isso significa que os presidentes eram generais 

escolhidos por uma junta de comandantes das Foras Armadas. 

Os presidentes no mais eram eleitos pelo povo. Alm disso, o 

governo perseguia os opositores. As pessoas que criticassem o 

regime poltico ou as falhas dos governantes corriam o risco 

de ser presas e at mesmo mortas. Foi uma poca muito dura, 

de falta de liberdade, de democracia.

<P>

  Entretanto, preste bem ateno: {a ditadura militar _no 

foi um regime em que os militares mandavam em todos os 

civis}. Na verdade, as principais decises do governo eram 

tomadas por militares e tambm por civis. A esmagadora 

maioria dos governadores dos estados (que no eram eleitos 

pelo povo), dos ministros e de seus assessores era composta 

de civis. Que civis? Polticos apoiaram o golpe militar, 

geralmente vindos da antiga UDN e do PSD. E tambm 

industriais, banqueiros, fazendeiros e executivos de 

multinacionais.



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?

    Foto da polcia reprimido os   o

  protestos contra o regime mili-   o

  tar. Depois do golpe de 1964,   o

  operrios, camponeses, polti-    o

  cos, estudantes, jornalistas e    o

  professores foram para a ca-      o

  deia. Mas nenhum grande empre-   o

  srio ou banqueiro foi preso.     o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



  Durante a ditadura militar, o governo no consultava a 

populao nem admitia crticas. Mas toda vez que alguma 

deciso importante ia ser tomada na rea econmica, os 

ministros procuravam ouvir os principais empresrios. 

Enquanto isso, as greves de trabalhadores estavam proibidas. 

Portanto, quem  que mandava  quem tinha de obedecer?



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*

    Caricatura dos generais pre-    o

  sidentes: ao alto, Mdici e       o

  Geisel; embaixo, Costa e Sil-   o

  va, Castello Branco e Figuei-   o

  redo. Charge de Cssio Lore-    o

  dano (Jornal do Brasil, 1984).  o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieieie

<F+>



<274>

<P>

A euforia do comeo



  Inflao anual



  1964: 92%

  1965: 35%

  1966: 39%

  1967: 24%

  1968: 25%



  Crescimento do PIB



  1964: 2,9%

  1965: 2,7%

  1966: 3,8%

  1967: 4,8%

  1968: 11,2%



  Apesar de instalado em maro de 1964, o governo militar no 

conseguiu evitar que naquele ano a inflao atingisse 92%. 

Repare como a economia comeou a crescer a partir de 1968.



<P>

Implantando o regime



  O golpe tinha sido comandado pelo general _Castello 

_Branco, que se tornou o primeiro general presidente do 

Brasil (de 1964 a 1967). Sua primeira providncia foi livrar 

o governo de seus inimigos polticos. Elaborou uma lista de 

personalidades que tiveram seus direitos polticos cassados 

(abolidos). O nmero 1 da lista foi o lder comunista Lus 

Carlos Prestes. Outros nomes famosas foram Joo Goulart, 

Leonel Brizola e Juscelino Kubitschek.



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?

    Foto: Humberto Castello    o

  Branco que comandou o golpe    o

  militar de maro de 1964.      o

  Prendeu opositores e imps a   o

  Constituio de 1967.         o

eieieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



<P>

  Inmeros deputados, senadores, juzes, funcionrios 

pblicos e militares perderam seus empregos e seus direitos 

porque no aceitaram o novo regime. Centenas de sindicatos 

foram invadidos pela polcia. As ligas camponesas foram 

proibidas. Operrios, camponeses, estudantes, jornalistas, 

professores foram presos por motivos polticos. A UNE teve 

sua sede incendiada. As universidades pblicas demitiram 

professores com idias de esquerda. A imprensa ficou sob o 

controle da censura. Porm nenhum grande empresrio chegou a 

ser preso. Nenhum banqueiro teve sua casa invadida pela 

polcia. Nenhum latifundirio foi espancado numa delegacia.

  Para {ajustar} a economia, o ministro Roberto Campos 

elaborou um plano no qual os salrios aumentavam menos do que 

os preos. O raciocnio era mais ou menos esse: quando os 

salrios aumentam, os empresrios procuram compensar a 

despesa (so eles que pagam os salrios) aumentando os 

preos; ora, se fizermos uma lei obrigando a conceder 

aumentos menores do que a inflao, automaticamente os preos 

subiro menos. Desse modo, a inflao caiu, mas os salrios 

dos trabalhadores tambm...



A Constituio de 1967



  A vida poltica do regime militar era baseada na 

Constituio de 1967, elaborada por homens ligados ao general 

Castello Branco aprovada pelo Congresso. Mas um Congresso 

Nacional mutilado, porque os deputados e senadores mais 

combativos tinham sido cassados (expulsos pelos militares).

  A Constituio de 1967 incorporou as medidas autoritrias 

tomadas desde os primeiros dias do golpe (os famosos _atos 

_institucionais). Desse modo, estabeleceu que o presidente da 

Repblica, os governadores dos estados e os prefeitos das 

capitais passavam a ser {eleitos} _indiretamente. Na prtica, 

significava que no eram eleitos, mas nomeados pelos homens 

do governo. Percebeu bem, amigo leitor? As pessoas no podiam 

escolher os governantes. Tinham de aceitar um nome imposto!

  Os antigos partidos (PSD, PTB, etc.) foram extintos. S 

podiam existir a _Arena (Aliana Renovadora Nacional) e o 

_MDB (Movimento Democrtico Brasileiro). A Arena era o 

partido que apoiava a ditadura. O MDB, o que se opunha a ele, 

mas s podia fazer uma oposio bem tmida, bem limitada 

pelas normas do regime. O povo fazia uma piada a respeito: {A 

Arena  o partido do _sim, o MDB  o partido do _sim 

_senhor}. Com o passar dos anos, a importncia do MDB foi 

crescendo. Quanto mais votos recebia, mais clara ficava a 

rejeio popular ao governo.

  Eleies... partidos de oposio... puxa, como  que uma 

ditadura tem essas coisas. Pois os militares diziam que era 

exatamente por isso que o Brasil tinha um {regime 

democrtico}. Ser? Na verdade, a Constituio no 

estabelecia o equilbrio dos trs poderes. O poder Executivo 

(presidente da Repblica, governadores, prefeitos) acumulava 

muito mais poderes que o Legislativo (senadores, deputados, 

vereadores, etc.) e o Judicirio (juzes e tribunais). 

Percebeu? Havia eleies para deputado e senador simplesmente 

porque eles no tinham poder nenhum. Na prtica, no podiam 

controlar o que o general presidente fazia!

  Em muitas cidades havia eleies para prefeito. Mas os 

prefeitos s podiam fazer obras e administrar se tivessem 

verbas (dinheiro pblico) fornecidas pelo governador. Os 

prefeitos da Arena eram fornecidos.



<275>

Das passeatas ao AI-5



  Os membros da ditadura queriam evitar a personalizao do 

poder. Ou seja, no queriam que um nome ficasse em destaque. 

Os generais presidentes deveriam ficar no governo durante um 

prazo limitado. Por isso Castelo Branco cedeu o governo ao 

general Artur da Costa e Silva (1967-1969).

  Acontece que os governantes no eram os nicos a agir. 

Existia tambm o outro lado, o aos que haviam perdido com a 

ditadura. E foi exatamente no tempo de Costa e Silva que a 

oposio ocupou os ptios das fbricas e as ruas das grandes 

cidades para manifestar sua insatisfao.

  A pesar da proibio, eclodiram greves operrias em Osasco 

(SP) e Contagem (MG). A greve de Osasco saiu vitoriosa e os 

trabalhadores conseguiram aumento de salrio. Em Contagem, os 

operrios foram obrigados a abandonar a maior fbrica da 

cidade, com mos na cabea e olho nos fuzis apontados pelo 

exrcito.

  A UNE estava proibida, mas na prtica continuava existindo. 

Nas grandes cidades, como Rio de Janeiro e So Paulo, os 

estudantes organizavam passeatas de protesto cada vez 

maiores. Voc se lembra de que, no planeta inteiro, 1968 foi 

o grande ano da contestao dos jovens ao {sistema} (releia o 

captulo 16). No Brasil, vrios motivos levavam os jovens a 

se revoltarem. Para comear, os brasileiros seguiam os passos 

de seus colegas de Paris, da Califrnia, de Pequim, de 

Berlim, do Mxico, de Praga, de Tquio. Alm disso, o pas 

vivia uma ditadura militar. Aquela gerao creditava na luta 

poltica para transformar o pas e o mundo. Uma gerao 

frustrada pelo golpe de 1964 e que agora queria mostrar sua 

vontade de mudar.

  No comeo, as passeatas juntavam estudantes. Aos poucos, 

receberam adeso de pessoas que trabalhavam no centro das 

cidades, como _boys, limpadores de rua, operrios, 

desempregados. Primeiro eram dezenas de participantes, depois 

centenas, depois milhares e dezenas de milhares. A populao 

recebia panfletos, ouvia discursos, lia as faixas e os muros 

pichados. Muitas pessoas refletiam criticamente sobre o 

regime.



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?

    Foto: manifestao de artis-   o

  tas e do povo contra a repres-    o

  so poltica. Jovens artistas,   o

  como os compositores Edu Lobo   o

  e Chico Buarque de Hollanda    o

  (segurando o cartaz), mistu-      o

  raram-se  gigantesca multido    o

  na Passeata dos Cem Mil con-   o

  tra o regime militar (1968).     o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



  Assustado, o governo ampliou a represso. A comeou a 

tragdia. No comeo do Rio, a polcia invadiu o restaurante 

popular Calabouo e acabou matando um estudante. {Eles se 

defendem assassinando os jovens!}, {Podia ser seu filho!} -- 

diziam as faixas de protesto carregadas nas ruas. O pior 

estava por vir. Na missa de stimo dia, a cavalaria da 

polcia militar posicionou-se em frente  escadaria da igreja 

da Candelria. As pessoas que saam do templo eram 

impiedosamente espancadas. Um ato religioso pacfico tratado 

com brutalidade!

  Em Goinia, a polcia invadiu a catedral atirando nos 

rapazes e moas refugiados, assassinando mais um estudante. 

No dia 31 de junho de 1968, aconteceu a _sexta-feira 

_sangrenta no Rio de Janeiro. A polcia dissolveu  bala um 

protesto de estudantes, matando inmeras pessoas. Mas os 

estudantes no se intimidaram. Em So Paulo, Braslia, 

Fortaleza, Porto Alegre e Belo Horizonte, as ruas foram 

tomadas por jovens que no se curvavam diante do regime 

militar.

  A maior parte de todas as manifestaes contra o governo 

militar foi a clebre {Passeata dos Cem Mil} (26/6/1968), que 

ocupou a Rio Branco, principal avenida do centro do Rio de 

Janeiro, e seguiu at a praa da Cinelndia. Imagine como se 

sentiram os comandantes militares assistindo a dezenas de 

milhares de pessoas carregando com dizeres do tipo {Abaixo a 

ditadura}, {S o povo armado derruba o regime}. Eles devem 

ter se perguntado: at aonde isso vai? At quando poderemos 

suportar essa presso?



Para onde foram



  Polticos que ingressaram na Arena e no MDB



  -- UDN

  MDB: 9%

  Arena: 91%



  -- PSD

  MDB: 34%

  Arena: 66%



  -- PTB

  MDB: 69%

  Arena: 31%



<276>

<P>

O AI-5



  A reao do governo foi fechar o regime de vez. Na 

sexta-feira 13 dezembro de 1968, Costa e Silva decretou o 

clebre {Ato Institucional n.o 5 (AI-5)}. O que era isso? Uma 

espcie de {lei} que dava poderes totais ao general 

presidente para:

  1) {Fechar o Congresso Nacional por tempo indeterminado}. 

Toda vez que os deputados e senadores {atrapalhassem}, com 

suas crticas e votaes contrrias, o presidente 

simplesmente decretaria um perodo de frias foradas.

  2) {Suspender direitos polticos}. Se um deputado ou 

senador fizesse oposio {exagerada}, o presidente poderia 

cass-lo. A vtima perderia o mandato (deixaria de ser 

deputado ou senador). Um exemplo real: o deputado do MDB 

Lysneas Maciel recebeu documentos que apontavam a existncia 

de corrupo no governo. Fez a denncia e esperou a criao 

de uma CPI (Comisso Parlamentar de Inqurito) para 

investigar em profundidade. Pois o governo se sentiu 

{ofendido} e aplicou o AI-5 contra Lysneas, que assim deixou 

de ser deputado. A denncia, claro, ficou esquecida.

  3) {Suspender garantias legais}. A partir do AI-5, 

tornou-se comum a polcia invadir a casa das pessoas sem 

autorizao judicial (do juiz). O preso poltico era levado a 

um local desconhecido e no podia se comunicar com a famlia 

nem com o advogado. Muitos foram torturados e assassinados. 

At hoje os parentes procuram os corpos.



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*

    Foto: O exrcito revista     o

  todos os carros. Se encontras-  o

  se um guerrilheiro, ele seria    o

  levado para um quartel e         o

  submetido  tortura, para que    o

  denunciasse seus companheiros.   o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieie

<F+>



  Alguns historiadores chamaram o AI-5 de {o golpe dentro do 

golpe}. Ou seja, em 1964, o regime tornou-se uma ditadura e, 

em 1968 transformou-se numa ditadura mais rigorosa ainda. 

Nenhuma espcie de oposio -- nem passeatas nem muros 

pichados -- seria tolerada. As passeatas estudantis acabaram 

simplesmente porque ningum estava disposto a ser baleado 

pela polcia. Nas escolas e faculdades todo mundo desconfiava 

de todo o mundo, temendo que o colega pudesse ser um 

informante do SNI (Servio Nacional de Informaes). O SNI 

era uma central de espionagem do governo criada por Castello 

Branco. Seus agentes vigiavam os opositores ao regime, 

podendo prend-los a qualquer momento.



<P>

<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*

    Foto: Sada da missa pelo    o

  estudante morto pela polcia,    o

  na igreja da Candelria (cen-   o

  tro do Rio de Janeiro), onde   o

  as pessoas so atacadas pela     o

  PM. Pouco depois, o AI-5   o

  seria decretado.                 o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieie

<F+>



A luta armada



  Depois do AI-5 no houve mais passeatas. O Congresso 

Nacional podia ser fechar a qualquer momento. A imprensa 

estava submetida  censura. Puxa, como ento se podia lutar 

contra esse regime opressor? Para muitos jovens, s havia um 

caminho: a luta armada, a guerrilha.

  A guerrilha parecia uma frmula quase mgica para levar a 

esquerda ao poder. Veja s. A Revoluo Chinesa (1949) tinha 

comeado com a longa marcha guerrilheira de Mao Ts-tung. A 

maior mquina militar do planeta, o exrcito dos EUA, estava 

sendo derrotada pelos humildes camponeses-guerrilheiros do 

Vietn. Sem falar nos guerrilheiros vitoriosos em Cuba...

  No Brasil, os primeiros grupos guerrilheiros de destaque 

comearam a atuar em 1968. Mas o grande perodo da guerrilha 

acontece durante o governo do general _Emlio _Garrastazu 

_Mdici (de 1969 a 1974).

  Os grupos de luta armada tinham siglas nomes pomposos. Veja 

s alguns deles: VPR (Vanguarda Popular Revolucionria), ALN 

(Aliana Libertadora Nacional), VAR-palmares (Vanguarda 

Armada Revolucionria Palmares), MR-8 (Movimento 

Revolucionrio 8 de Outubro).

<277>

  Qual era o objetivo poltico deles? Podemos dizer que, de 

certo modo, eram todos comunistas. Ou seja, seguiam as idias 

do socialismo cientfico de Marx, Engels e Lnin. Admiravam a 

Revoluo Russa, mas criticavam o regime poltico da URSS de 

Brejnev. O grande modelo era a Revoluo Cubana, os grandes 

heris eram Che Guevara e Fidel Castro. De modo geral, 

acreditavam que a histria do Brasil seria parecida com a de 

Cuba: primeiro, a formao de grupos guerrilheiros; depois, a 

revoluo popular; finalmente, o Brasil iria se tornar um 

pas socialista.

  Por que vrios grupos em vez de um s? Porque interpretavam 

de maneiras diferentes a realidade brasileira. Por exemplo, 

uns acreditavam que a guerrilha deveria comear nas zonas 

rurais, junto aos camponeses, e outros que ela deveria se 

aproximar dos operrios das indstrias. Alguns achavam que 

primeiro era preciso lutar contra a ditadura s seria 

bem-sucedida se fosse tambm uma luta contra o capitalismo.



<P>

<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?

    Foto: Lamarca. O capito   o

  Lamarca abandonou o exrcito   o

  para se tornar o mais temido    o

  comandante guerrilheiro.        o

eieieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



  Preste bem ateno: o PCB, liberado por Luz Carlos 

Prestes, foi contra a luta armada. Para os comunistas 

{oficiais}, a guerrilha no conseguiria ser bem-sucedida. Em 

vez disso, a apoiar o MDB e mobilizar a populao para, 

pacificamente, pressionar o governo militar.

  Os guerrilheiros tinham pressa. Queriam agir logo. Mas o 

que eles pretendiam fazer? Vrias coisas. Por exemplo, 

comprar um stio para instalar um campo de treinamento. 

Depois, comear a {educar politicamente os camponeses} para 

adquirirem  guerra de guerrilhas contra o exrcito 

brasileiro. Ou ento distribuir panfletos contrrios  

ditadura e ao capitalismo em portas de fbricas nas grandes 

cidades. E, quando chegasse a polcia, em vez de serem presos 

ou mortos, os guerrilheiros responderiam com fogo. 

Acreditavam que aos poucos a populao saberia das aes 

revolucionrias e passaria a dar apoio. Ento, o nmero de 

guerrilheiros seria cada vez maior at se torna um grande 

exrcito popular...



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?

    Foto: Carlos Moriguela.    o

  Poeta e guerrilheiro, embos-   o

  cado em So Paulo num fusca   o

  estacionado na alameda          o

  Casa Branca.                  o

eieieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



  Quem eram os guerrilheiros? Alguns eram velhos militantes 

do PCB, insatisfeitos com o {reformismo} (um xingamento da 

esquerda: o reformista  o oposto do revolucionrio). Era o 

caso de dirigentes como Carlos Mariguela, Mrio Alves, Jacob 

Gorender, Apolnio de Carvalho. Havia alguns militares, como 

o capito Carlos Lamarca, talvez o mais famoso comandante 

guerrilheiro. Porm a grande maioria era formada por 

idealistas e inexperientes estudantes secundaristas e 

universitrios.



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*

    Charge: trs militares apon-  o

  tando armas para um revolucio-   o

  nrio, que est com os olhos     o

  vendados, a boca tapada e as     o

  mos presas nas costas. O di-   o

  tador diz: {Muito bem, vocs    o

  agora tm liberdade para         o

  falar contra o regime!}          o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieie

<F+>



<P>

A guerrilha do Araguaia



  A guerrilha do PC do B no Araguaia foi a ltima e mais 

importante de todas. Aconteceu na regio ao norte do atual 

estado de Tocantins, no chamado Bico de Papagaio (no encontro 

dos rios Tocantins e Araguaia. Veja o mapa). At os dias 

atuais, esta  uma rea onde acontecem muitos conflitos por 

causa da propriedade da terra. De um lado, os grandes 

fazendeiros; do outro, as famlias camponesas. Os 

latifundirios queriam aumentar suas posses tomando as terras 

dos pequenos agricultores, que resistiam do jeito que podiam. 

Alguns latifundirios chegavam a enviar jagunos para 

expulsar os camponeses. Volta e meia havia a notcia de um 

pistoleiro executando um trabalhador rural.

  Em 1969, os militantes do PC do B chegaram clandestinamente 

na regio. Como voc sabe, o PC do B seguia as idias 

guerrilheiras de Mao Ts-tung (veja a pgina sobre o 

rompimento entre o PCB e o PC do B, a seguir). Os comunistas 

compraram um stio e passaram a viver da agricultura. O 

objetivo era fazer amizade e, aos poucos, doutrinar 

politicamente os camponeses. Mostrar a eles {a necessidade de 

pegar em armas para lutar contra o latifndio e o governo da 

burguesia}. Ao mesmo tempo, o stio servia de campo de 

treinamento para a guerrilha.

  Em 1972, o governo enviou tropas para reprimir a ao. 

Cerca de 70 guerrilheiros comandados pelo lendrio Oswaldo 

Orlando da Costa embrenharam-se na floresta e enfrentaram 

milhares de homens do exrcito, aeronutica e polcia 

militar. Graas ao apoio da populao, os poucos 

guerrilheiros puderam resistir durante dois anos. Finalmente, 

uma expedio de seis mil soldados, incluindo destacamentos 

de elite do exrcito (pra-quedistas), mobilizados numa 

guerra sem trgua (em que os guerrilheiros eram torturados e 

degolados), conseguiu derrotar os rebeldes (janeiro de 1975).



<278>

A derrota da guerrilha



  Apesar da coragem e do herosmo, os grupos de lura armada 

foram derrotados. Primeiro, porque o nmero de pessoas 

engajadas era muito pequeno. Apenas algumas centenas. A 

maioria no tinha nenhuma experincia militar. Nunca tinham 

posto a mo num revlver! Do outro lado, havia o exercito, 

cada vez mais profissional, treinado e com armamento moderno. 

Alm disso, a imprensa estava sob rgido controle de censura. 

Os jornais e as revistas apresentavam os guerrilheiros como 

{terroristas} cruis, que ameaavam assassinar as pessoas 

comuns. Nos correios, hospitais e reparties pblicas, 

apareciam cartazes com fotos dos guerrilheiros, apresentados 

como perigosos bandidos caados pela poltica.

<P>

  Os guerrilheiros cometeram vrios erros de avaliao. Eram 

poucos e ficaram isolados, no conseguiram obter apoio da 

populao. No perceberam que o pas estava vivendo uma poca 

de crescimento econmico (o {milagre} como veremos adiante). 

No notaram que em outros pases a guerrilha vencera porque a 

maioria da populao era rural, enquanto a maioria dos 

brasileiros j vivia nas cidades.



A represso



  Como  que a ditadura conseguiu dizimar os guerrilheiros? 

Prepare-se, amigo leitor, porque vamos descrever a violncia 

da represso.

  Imagine que voc fosse um estudante de 17 ou 18 anos que 

tivesse aderido a um grupo de luta armada. Voc tinha {cado 

na clandestinidade}, como se dizia. Documento falso, revlver 

escondido na cintura, olhar assustado para qualquer pessoa na 

rua. Distante da famlia, dos antigos amigos, de qualquer 

conhecido. Nome inventado, pois nem os companheiros podiam 

saber sua identidade (se fossem presos, nada poderiam 

revelar). Vocs se escondem num apartamento discreto, numa 

casinha no subrbio. Esse esconderijo  chamado de _aparelho.

  Quais so as suas aes? Pode ser que vocs _expropriem um 

banco. Ou seja, assaltem um banco ({dinheiro tirado da 

burguesia para lutar contra a burguesia}). Ou, ento, roubem 

um caminho para distribuir comida na favela enquanto fazem 

um discurso poltico. Ou, ainda, seqestrem um embaixador 

estrangeiro para exigir que o governo solte companheiros e os 

deixe ir para o exlio em outro pas.

<279>

  Um dia, voc tem um _ponto (encontro) marcado com um outro 

guerrilheiro. Ele no aparece. Provavelmente, _caiu (foi 

preso). Em algumas horas, debaixo de pauladas, ele poder 

contar onde voc e seus companheiros se escondem.  preciso 

fugir! Mas dessa vez no deu tempo. A polcia chegou e houve 

tiroteio. Voc foi preso. Agoa sim, vai sentir na pele a face 

mais negra do regime. A tortura.

  No houve guerrilheiro preso que no tivesse sido 

barbaramente torturado. Ficar pendurado no pau-de-arara (um 

cavalete em que a pessoa fica amarrada e pendurada, como na 

figura abaixo)  um dos piores suplcios. Alm disso, 

pontaps, choques eltricos nos rgos genitais, banhos de 

cido, testculos amassados com alicate, dente arrancado a 

pontaps. A lista  infindvel.



<P>

<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*

    Figura:  esquerda, o tene-    o

  broso pau-de-arara, um dos         o

  instrumentos da represso. Na     o

  foto, a jovem Aurora Maria       o

  Nascimento Furtado. Morta sob   o

  tortura (teve o crnio esmaga-     o

  do) em 1973. Sonhou com um       o

  pas melhor, no teve direito      o

  ao futuro. Quem pagar por        o

  esse crime?                        o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieieie

<F+>



  Por que a tortura? Havia sadismo, gosto em fazer o outro 

sofrer. Mas tambm havia necessidade militar: o torturado 

daria as informaes para prender outros guerrilheiros.

  Muitos no agentaram e falaram. Mas houve os que no nada 

disseram. Alguns morreram de tanto apanhar sem dar nenhuma 

informao ao inimigo. De certo modo, derrotaram os 

carrascos.

  Foi uma gerao que pagou um alto preo por seus ideais.

  Mas, afinal, quem eram os torturadores? Onde as pessoas 

eram torturadas? Ao contrrio do que se possa pensar, a 

tortura nem sempre era feita num lugar escondido. Muitas 

pessoas foram torturadas em quartis e delegacias. Os 

torturadores eram militares e policiais ligados a rgos de 

represso como DOI-Codi.

  Claro que a maioria dos militares no teve nenhum 

envolvimento com a tortura. Muitos sequer sabiam que ela 

estava acontecendo. Mas  inegvel que havia torturadores 

ocupando posies de destaque no aparelho repressivo do 

Estado. Quando os exilados polticos comearam a fazer 

denncias na imprensa estrangeira, nenhum membro do alto 

escalo do governo tomou qualquer providncia para acabar com 

a prtica.



<P>

A propaganda do regime



  O regime militar no se manteve apenas por causa da 

represso fsica. Ele tambm soube utilizar as armas da 

propaganda ideolgica. Por exemplo, os meios de comunicao 

(jornais, tev, rdio) s podiam apresentar notcias 

favorveis ao regime, transmitindo a imagem de um Brasil que 

estava {no caminho certo} para o desenvolvimento. Reportagens 

sobre as grandes obras do governo convenciam a populao de 

que tudo melhorava.

  Os governantes homenageavam os esportistas para criar a 

imagem de que as vitrias foram conquistadas graas  ajuda 

do governo militar. Como no caso do tricampeonato mundial de 

futebol (no Mxico em 1970), do primeiro ttulo mundial 

brasileiro na Frmula 1 de automobilismo (com o piloto 

Emerson Fittipaldi, 1972) e at do ttulo de grande mestre 

internacional de xadrez conquistado pelo talentoso Henrique 

C. Mecking (_Mequinho), em 1972.

  Nas escolas, havia aulas de Moral e Cvica, que deveria 

adestrar os alunos para que admirassem e respeitassem a 

ditadura. Nos rdios e programas de tev eram tocadas msicas 

com letras dizendo {Ningum segura esse pas}, {Esse  um 

pas que vai pra frente -- De um povo alegre e to contente}, 

etc.



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?

    Adesivo com os dizeres Bra-   o

  sil ame-o ou deixe-o e aparece    o

  uma bandeira do Brasil. Adesi-  o

  vo apreciado pela classe mdia    o

  no tempo de Mdici. No fundo,   o

  significava: {Quem critica a     o

  situao do pas tem mais        o

  que ir embora!}                   o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



<280>

<P>

O milagre econmico



  Por incrvel que parea, o governo militar chegou a receber 

apoio macio da classe mdia e at da populao mais pobre.  


difcil explicar, no concorda? Mas um dos motivos para esse 

apoio era simples: a economia do pas estava crescendo e 

oferecendo oportunidades para muitas pessoas. Foi a poca do 

chamado (pelos propagandistas do regime) _milagre _econmico. 

O apogeu do {milagre} ocorreu durante o governo Mdici 

(1969-1974).



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*

    Foto: Mdici, o mais san-  o

  guinrio de todos.             o

eieieieieieieieieieieieieieieieieie

<F+>



  Chamaram de {milagre} porque o pas vivia a euforia de um 

extraordinrio crescimento e modernizao da economia. O 

Brasil chegou a apresentar uma das maiores taxas mundiais de 

crescimento econmico! Esse desenvolvimento rpido era 

realizado com baixas taxas de inflao.

  Como foi possvel o {milagre}? Primeiro, porque houve 

grandes investimentos do Estado. O Estado financiou projetos 

industriais e agrcolas privados e realizou inmeras obras de 

infra-estrutura, como estradas, pontes, usinas hidreltricas. 

Por exemplo, a rodovia Transmaznica, a refinaria de petrleo 

de Paulnia, a maior do Brasil (1972), a ponte Rio-Niteri 

(1974). Para acelerar o crescimento, ampliavam-se ou 

criavam-se novas empresas estatais, principalmente no setor 

de petrleo, energia, comunicao e minerao. Por exemplo, a 

Petrobrs, a Eletrobrs, a Embratel e a Telebrs, a Cia. Vale 

do Rio Doce.



<P>

<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?

    Foto: Ponte Rio-Niteri que   o

  foi inaugurada em 1974. A         o

  sociedade no pde controlar        o

  os gastos do governo na             o

  execuo da obra.                   o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



  Outra razo para o {milagre} foi o grande investimento 

estrangeiro. Inmeras empresas multinacionais se instalaram 

no Brasil ou ampliaram seus negcios. Tornaram-se donas de 

fbricas, fazendas, empresas de comrcio e de servios. Por 

que as empresas multinacionais consideravam o Brasil 

atraente? Uma das razes era o apoio dado pelo governo 

brasileiro, que emprestava dinheiro, oferecia-lhes obras 

gratuitas (estradas, linhas de energia eltrica, etc.) e lhes 

cobrava menos impostos. Algumas empresas estrangeiras 

receberam mais incentivos do governo do que as empresas do 

prprio Brasil! Outra razo importante era o baixo salrio 

dos operrios brasileiros. Como as greves estavam proibidas, 

as executivos das multinacionais sabiam que podiam pagar 

pouco e lucrar muito sem ter de se preocupar com protestos de 

trabalhadores. O pas vivia o chamado _arrocho _salarial: a 

economia crescia, mas os salrios no aumentavam na mesma 

proporo.



O Milagre que no era Santo 



  Pontos principais do {milagre} econmico (1968-1973)



  o Grande crescimento da economia

  o Inflao moderada (pelos padres brasileiros)

  o Modernizao da indstria de base, de bens de consumo 

durveis, das telecomunicaes, da produo de energia

  o Ampliao e criao de empresas estatais em minerao, 


petrleo e petroqumica, ao e eletricidade, comunicaes

<P>

  o Investimentos estrangeiros (multinacionais)

  o Arrocho salarial

  o Concentrao de renda (ricos mais pobres)

  o Obras estatais faranicas (gigantescas e caras)

  o Aumento da dvida externa



Os crticos do {milagre}



  Acabamos de ver que o chamado {milagre} se destaca como um 

perodo de baixa inflao e grande crescimento econmico, com 

pesados investimentos do Estado e das empresas estrangeiras. 

Mas quem realmente ganhou com esse crescimento espetacular?

  Certa vez, o presidente Mdici declarou que {a economia vai 

bem, o povo  que vai mal}. Por que ele dizia isso? Por que o 

crescimento econmico produzido pelo {milagre} no 

beneficiava todas as camadas sociais. Com os sindicatos 

vigiados pelo governo e as greves proibidas, os trabalhadores 

pouco podiam fazer para defender seus salrios. Puxa  s 

pensar: se a economia do pas crescia e os trabalhadores 

continuavam recebendo mais ou menos a mesma coisa, quem 

estava recebendo mais ou menos a mesma coisa, quem estava 

recebendo mais?  bvio que eram as camadas sociais mais 

altas! Ou seja, os ricos, ficavam mais ricos e os pobres mais 

pobres. O ministro Delfim Neto, que comandou o {milagre} no 

governo Mdici, dizia que era {preciso deixar o bolo crescer 

para depois dividir}. Realmente o bolo cresceu, s que as 

fatias comidas pelos ricos ficaram maiores ainda, enquanto 

que as fatias dos pobres encolheram.

<281>

  As grandes obras do governo tambm foram questionadas. Por 

exemplo, a construo da rodovia Transamaznica (veja a 

figura a seguir) no incluiu nenhum projeto de proteo da 

floresta, dos ndios, dos garimpeiros e dos trabalhadores 

rurais. Algumas obras custaram mais caro do que deveriam 

porque o dinheiro foi desviado para funcionrios e empresas 

corruptas. Muitas dessas obras foram pouco teis  sociedade.

Por exemplo, prdios luxuosssimos de empresas estatais e de 

reparties pblicas, estdios de futebol enormes, enquanto 

as escolas pblicas continuavam poucas e caindo aos pedaos.



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?

    Foto: Rodovia Transamazni-  o

  ca. Levou a uma ocupao de-     o

  sordenada, que resultou em        o

  pobreza da populao e em         o

  destruio ambiental.             o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



  De onde o governo tirava dinheiro para financiar tantos 

projetos? Pedia dinheiro emprestado a bancos estrangeiros. 

Assim, em 1974, a dvida externa do Brasil j era seis vezes 

maior do que em 1964 e com juros enormes. Como  que o 

governo poderia pagar essa dvida toda? S mesmo sacrificando 

o cidado.

  O regime era uma ditadura. Ento, na imprensa, nas 

universidades e no Congresso Nacional havia poucas chances de 

se questionar o que estava acontecendo. Os debates estavam 

proibidos e a populao no podia ser esclarecida nem 

participar das decises.



Eles gastam ns pagamos



  O crescimento da dvida externa (US$ bilhes)



  1964: 3

  1970: 5

  1972: 10

  1974: 17

  1976: 25

  1978: 44

  1980: 54

  1981: 62



<P>

  O grfico  claro: a dvida externa brasileira em 1981 era 

quase vinte vezes maior do que no comeo da ditadura. Veja 

como ela cresce para alimentar o {milagre} econmico.



A crise do {milagre}



  A indstria de bens de consumo durveis est entre as que 

mais cresceram no tempo do {milagre}. Naquela poca, quem  

que podia comprar automvel zero-quilmetro, ar-condicionado, 

tev em cores, geladeira? S as pessoas da classe mdia para 

cima. Os operrios, funcionrios do comrcio e trabalhadores 

rurais no tinham condies de comprar esses produtos. Era 

uma imensa multido que no recebia o suficiente. E o que fez 

o regime militar? Piorou a situao! Houve uma enorme 

concentrao da renda no Brasil. Os poucos ricos ficaram mais 

ricos ainda e a camada pobre da populao aumentou. Como  

que as indstrias de automveis, de construo civil (casas e 

apartamentos), de eletrodomsticos e de bens de consumo em 

geral podiam continuar produzindo e se expandindo se o 

mercado interno no Brasil estava cada vez mais estrangulado? 

Uma terrvel condio!

  Chegou um momento em que a economia ficou estrangulada, no 

conseguia mais crescer. As vendas diminuram e as empresas 

comearam a demitir os empregados. Pessoas desempregadas 

compram menos, e a as empresas entraram numa crise maior 

ainda... Como voc percebe, o {milagre} estava chegando ao 

fim. Os planos econmicos da ditadura resultaram em arrocho 

salarial e concentrao de renda e, com isso, causaram a 

crise econmica.

  Para piorar a situao, em 1973 comeou a crise econmica 

mundial, que afetou bastante o Brasil. Por exemplo, em 1974, 

quase metade do que o Brasil gastava com importaes era para 

comprar petrleo! Dentro do pas, os combustveis aumentaram 

de preo e com isso quase tudo ficou mais caro.

  O general presidente _Ernesto _Geisel (1974-1979) assumiu o 

governo quando o pas sentia os efeitos da crise. O {milagre} 

chegou ao fim. A economia j no crescia tanto.



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*

    Charge: O ministro Delfim     o

  Netto comandou o {milagre}        o

  econmico. Dizia que era pre-     o

  ciso {esperar o bolo crescer       o

  para depois dividir}. Charge      o

  de Chico Caruso publicada no     o

  Jornal do Brasil de 6/10/1979.  o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieieie

<F+>



<282>

Programas energticos



  Para enfrentar o aumento do preo mundial do petrleo que o 

Brasil importava, Geisel criou o programa Nacional do lcool, 

o _Prolcool. O governo passou a emprestar dinheiro a juros 

baixos para os latifundirios aumentassem as plantaes de 

cana e instalassem usinas para produzir lcool. Com isso, a 

produo de lcool do pas cresceu bastante. Os automveis 

passaram a ser abastecidos com gasolina misturada com lcool. 

Com isso, o Brasil diminua sua necessidade de importar 

petrleo.



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*

    Foto: A usina hidreltrica   o

  de Itaipu era, na poca, a      o

  maior do mundo. Essencial       o

  para abastecer o pas de         o

  energia eltrica.                o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieie

<F+>



  O Prolcool recebeu crticas da oposio. Os analistas 

diziam que os canaviais estavam tomando o lugar das 

plantaes de alimentos e, com isso, a comida iria ficar 

escassa e cara. Alm disso, as usinas de lcool prejudicavam 

o meio ambiente porque poluam os rios, despejando milhes de 

litros de vinhoto, um subproduto da cana.

  O governo Geisel tambm criou o _projeto _nuclear. O 

objetivo era construir as primeiras usinas nucleares do 

Brasil. Elas foram instaladas em Angra dos Reis (RJ) e 

passaram a produzir grande quantidade de energia eltrica. 

Mas os crticos do projeto argumentavam que as usinas 

nucleares eram carssima (cerca de 30 bilhes de dlares 

pagos aos alemes e norte-americanos que forneceram a 

tecnologia), perigosas (um acidente nuclear pode, matar 

milhares de pessoas) e que seria melhor investir na 

construo de usinas hidreltricas.



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*

    Foto: usina nuclear. As      o

  usinas nucleares em Angra dos   o

  Reis (RJ) custaram muito e    o

  constituem riscos permanentes.   o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieie

<F+>



<P>

  Para enfrentar a crise. Geisel tambm organizou planos de 

desenvolvimento da indstria e da agricultura. A Petrobrs 

recebeu investimentos do governo e foi bem-sucedida na 

descoberta de petrleo na bacia de Campos (RJ).

  Voc j deve ter reparado que esse esforo do governo 

Geisel, de continuar dinamizado a economia, no inclua uma 

poltica de distribuio de renda. Ou seja, no existiu 

nenhuma grande preocupao em melhorar o salrio dos pobres, 

em fazer investimentos macios em escolas, creches e 

hospitais pblicos.

  Para vitaminar o crescimento da economia, o governo Geisel 

pediu mais dinheiro emprestado aos banqueiros estrangeiros. 

Alm disso, comeou a emitir papel-moeda para cobrir os 

gastos do Estado. O resultado voc sabe: aumento da dvida 

externa e inflao.



<P>

A distenso lenta e gradual



  A cada eleio para o Legislativo, o MDB recebia mais 

votos. Agora que a euforia do {milagre} econmico tinha 

acabado, sobrava a insatisfao popular. Os militares que 

comandavam o regime perceberam a situao e ficaram 

divididos. A chamada _linha-dura desejava manter uma ditadura 

por muitos e muitos anos. Os generais Mdici e Slvio Frota 

(considerado grande rival de Geisel) Pertenciam  linha-dura. 

Os castelistas (que se consideravam herdeiros dos ideais do 

falecido Castello Branco) propunham marcar a data para o fim 

do regime militar. Os dois ltimos generais presidentes foram 

Geisel (1974-1979) e Figueiredo (1979-1985).

  Geisel e Figueiredo perceberam que o governo militar estava 

esgotando seus recursos. A imagem pblica dos militares como 

{honestos e competentes} comeou a ser amplamente 

questionada.

  Geisel comeou ento a discursar sobre a {distenso lenta e 

gradual}. Depois, Figueiredo iria falar de {abertura 

poltica}. A idia era a mesma: abrandar o regime, permitir 

algumas pequenas liberdades e retirar os militares do 

governo. A retirada deveria ser bem lenta, totalmente 

controlada. Voc se lembra de que a {ditadura militar} na 

verdade foi exercida por militares e civis. A maioria dos 

ministros e governadores era civil. Os polticos da Arena, 

que apoiavam o regime, eram civis. Geisel e Figueiredo 

queriam retirar os militares e ao mesmo tempo garantir que os 

civis que apoiaram o regime continuassem no governo. Em 

outras palavras, sairiam os generais e ficariam os polticos 

da Arena.

  Para mostrar que no iria ficar s nas intenes, Geisel 

tomou algumas decises importantes. Puniu o general Ednardo 

D'vila Mello por ter permitido que no quartel-general do Ii 

Exrcito tivessem acontecido a tortura e o assassinato do 

jornalista Vladimir Herzog (em 1975) e do operrio Manuel 

Fiel Filho (em 1976). Em 1978, extinguiu o famigerado AI-5.



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?

    Foto: Bal. O governo        o

  Geisel proibiu  que a TV bra-  o

  sileira mostrasse o bal          o

  Bolshoi de Moscou. O espet-   o

  culo dos danarinos soviticos    o

  pde ser assistido nos EUA e    o

  na Europa Ocidental, mas no    o

  no Brasil. Essa era a viso     o

  cultural do regime militar...     o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



  Mas como ter certeza de que os polticos da Arena 

conseguiriam se manter no poder? Como garantir que o Brasil 

se tornasse {democrtico} e no se votasse no MDB? Muito 

simples: o governo militar criou vrias regras que deveriam 

garantir as vitrias eleitorais. Por exemplo, a Lei Falco 

(1976), que determinava que na propaganda eleitoral no rdio 

e na tev s poderiam aparecer a foto 3`*4 e o currculo do 

candidato. Nenhuma crtica nem proposta poderiam ser 

apresentadas!

  Em 1977, Geisel utilizou o AI-5 (que ele extinguiria meses 

depois) para fechar o Congresso Nacional e aprovar o _Pacote 

_de _Abril. O {pacoto} era um conjunto de leis eleitorais 

que favoreciam a Arena. Determinava que um tero dos 

senadores passaria a ser {eleito indiretamente}. Ou seja, na 

prtica, os senadores seriam _binicos (apelido popular para 

os senadores nomeados pelo governo, que no tinha sido 

eleitos democraticamente). Outra medida do pacoto de abril 

de 1977 foi aumentar o nmero cadeiras de deputados federais. 

E onde haveria mais deputados eleitos? Nos estados do Norte e 

do Nordeste, onde tradicionalmente a Arena vencia as 

eleies. Ou seja, a Arena no precisou ter mais votos para 

conseguir mais deputados no Congresso Nacional.



<283>

Estrangulando a verdade



  Em outubro de 1975 Vladimir Herzog, diretor de 

telejornalismo da TV Cultural de So Paulo, foi chamado para 

um interrogatrio num quartel do exrcito, sede do DOI-Codi 

(rgo de represso poltica). Ficou l vrios dias, e 

incomunicvel. Dias depois, a famlia recebeu a notcia de 

que ele havia {se suicidado}. Com um detalhe: teria de ser 

enterrado com o caixo lacrado, para que ningum pudesse ver 

o estado do corpo... Trs meses depois, o operrio Manuel 

Fiel Filho sofreu o mesmo destino e no mesmo local. A farsa 

foi evidente ambos tinham sido torturados at a morte.

  O cardeal de So Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, reuniu-se 

com o pastor James Wright e o rabino Henri Sobel (Herzog era 

judeu) para homenagear Herzog. Milhares de pessoas 

compareceram ao encontro, na praa da S. Era a primeira 

grande manifestao de massa nas ruas desde que tinham sido 

proibidas em 1968. Mostra clara de que a sociedade civil 

brasileira se mobilizava contra as arbitrariedades do regime 

militar.



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?

    Foto: Jornalista Vladimir    o

  Herzog. Assassinado por tor-    o

  turadores no Q.G do Ii Exr-  o

  cito (1975). Mais tarde,        o

  Geisel afastou do cargo o ge-    o

  neral responsvel pelo crime.     o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



A msica de contestao



  O crescimento da indstria de discos, do rdio e da 

televiso aumentou a importncia da msica popular brasileira 

(MPB) na vida dos brasileiros. Depois de 1964, como no podia 

deixar de ser, muitos compositores fizeram canes com letras 

que criticavam o regime. Na poca, era comum se dizer que o 

artista tinha a obrigao de {conscientizar politicamente} a 

sociedade.

  Nomes conhecidos da bossa nova se juntaram a novos valores. 

A juventude universitria nutria um gosto especial por Chico 

Buarque de Holanda, Edu Lobo, Tom Jobim, Vincios de Morais, 

Toquinho, Caetano Veloso, Milton Nascimento, sem falar nas 

cantoras, como Nara Leo, Elis Regina e Maria Bethnia. Em 

1968, todos cantavam a clebre {Para no dizer que no falei 

das flores}, de Geraldo Vandr, com o refro {Vem, vamos 

embora, que esperar no  saber, quem sabe faz a hora no 

espera acontecer}, verdadeiro hino das passeatas contra a 

ditadura militar.

  Depois do AI-5, a censura passou a ser mais rigorosa. Chico 

Buarque e at Gilberto Gil e Caetano Veloso consideraram 

prudente viver uns tempos longe do Brasil.

  Em 1973, os baianos Gilberto Gil e Caetano Veloso lanaram 

o tropicalismo, que era um modo de fazer MPB abordando temas 

cotidianos e mais voltados para o indivduo do que para a 

poltica, misturando influncias da bossa nova, do _jazz, do 

_rock, de ritmos do Caribe e do Nordeste, da msica erudita 

de Villa-Lobos, da poesia concretista. No comeo, 

incompreendidos (alguns crticos disseram que o uso de 

guitarras era uma submisso  cultura dos EUA). Mas em pouco 

tempo se tornaram dolos de uma gerao de adolescentes e de 

pessoas maduras.

  Nos anos 70 e comeo dos 80, outros nomes, entre veteranos 

e novos valores, tambm se destacavam: Ivan Lins, Fagner, 

Moraes Moreira, Belchior, Egberto Gismonti, Hermeto Pascoal, 

Wagner Tiso, Joo Bosco e Aldir Blanc, Francis Hime, Z 

Ramalho, Paulinho da Viola, Martinho da Vila, Tom Z, e o 

_rock de Rita Lee e Raul Seixas. Como voc pode perceber, foi 

um perodo riqussimo em criatividade. O que mostra que a 

dureza de um regime autoritrio pode no ser suficiente para 

acabar com a inteligncia de um povo.



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?

    Foto: Capa do disco _Tropi-  o

  clia (1968) que marcou o in-   o

  cio do movimento tropicalista,    o

  uma espcie de {feijoada cul-     o

  tural}. Seus lderes foram os    o

  baianos Gilberto Gil e Cae-    o

  tano Veloso.                     o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



<284>

Figueiredo e a abertura



  Quando o general Joo Figueiredo (1979-1985) assumiu o 

governo, a situao econmica do pas j era catastrfica. Os 


preos das mercadorias disparavam, deixando o povo 

desesperado na hora de comprar. No primeiro ano de governo, o 

custo de vida tinha aumentado mais de 70%. Os salrios, 

claro, no acompanhavam essa alta de preos. No mesmo ano, a 

dvida externa chegou a 50 bilhes de dlares e continuou 

crescendo. Todos os anos, saam bilhes de dlares do Brasil 

para os brancos internacionais: era o pagamento dos juros da 

dvida externa. Uma verdadeira bomba de suco a chupar os 

recursos econmicos do pas. O Brasil pobre ajudava a 

enriquecer os pases ricos!



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?

    Foto: o general presidente   o

  Joo Figueiredo num alegre    o

  passeio de cavalo com o pre-    o

  sidente norte-americano         o

  Ronald Reagan.                o

eieieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



  Figueiredo falava em _abertura _poltica. Realmente, a 

censura foi abrandada. Os jornais podiam apresentar algumas 

crticas ao governo. No comeo dos anos 80, at mesmo alguns 

pequenos jornais de esquerda surgiam nas bancas.

  Em 1979, foi decretada a _Lei _da _Anistia. O governo 

perdoou as pessoas que tinham sido presas, torturadas e 

mortas por motivos polticos. Assim, os presos polticos 

foram soltos. Os exilados puderam voltar ao Brasil. 

Entretanto, a Lei de Anistia tambm inocentava os indivduos 

envolvidos na represso. Ou seja, quem tivesse matado e 

torturado estava livre de qualquer acusao. Alm disso, os 

funcionrios pblicos anistiados (professores, juzes, 

cientistas, militares, etc.) dependiam de autorizao 

especial do general presidente para serem reintegrados a seus 

antigos cargos.

  De qualquer modo, era visvel que a ditadura estava se 

abrandando. O que nos leva a perguntar: o regime comeou a se 

desfazer por vontade exclusiva dos generais? O povo 

brasileiros ficou passivo durante todo esse tempo?



<285>

<P>

A mobilizao da sociedade civil



  Geisel e Figueiredo sabiam que o regime se tornara muito 

impopular. Mais ainda: as presses a favor da democratizao 

do pas eram muitos fortes.

  Sempre houve rejeio  ditadura. Voc se lembra? Em 1967 e 

1968, a oposio se manifestou atravs das greves operrias, 

em Osasco e Contagem, e atravs das grandes passeatas de 

estudantes. Depois do AI-5, no final de 1968, veio outra 

forma de resistncia ao regime: a luta guerrilheira. 

Finalmente, a partir de 1975, a luta popular se baseou na 

mobilizao da sociedade civil.

  Existe uma diferena bsica entre as instituies do Estado 

e as da _sociedade _civil. Por exemplo, as polcias militar e 

civil, os juzes e tribunais, os funcionrios pblicos em 

geral fazem parte do Estado. As igrejas, os sindicatos, as 

associaes de moradores fazem parte da sociedade civil.



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?

    Foto: Dom Paulo Evaristo    o

  Arns. Nos anos 70, a Igreja   o

  catlica passou a criticar o      o

  regime militar por causa da       o

  falta de democracia e do          o

  desrespeito aos direitos huma-    o

  nos. Um dos lderes foi Dom     o

  Paulo Evaristo Arns,           o

  arcebispo de So Paulo.         o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



  No tempo de Geisel e, mais ainda, no de Figueiredo, muitas 

organizaes da sociedade civil pressionaram os ditadores, 

exigindo a volta das liberdades democrticas. Que 

organizaes eram essas?

  Para comear, a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), que 

visava presos polticos, denunciava a tortura e questionava 

as aberraes antidemocrticas das leis do pas. A ABI 

(Associao Brasileira de Imprensa) combatia a censura e a 

perseguio aos profissionais da imprensa, exigindo o grande 

direito da liberdade de informao. A igreja catlica, que em 

1964 havia apoiado o golpe, passou a criticar o regime por 

causa da violao dos direitos humanos e da situao difcil 

da populao. Os cientistas, que marcavam encontros nacionais 

da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Cincia), 

faziam declaraes abertamente contrrias ao regime 

ditatorial.

  Surgiram pequenos jornais, como {O Pasquim, Movimento, 

Opinio}, que faziam parte da chamada {imprensa alternativa}. 

Saa um nmero por semana e o objetivo no era dar notcias 

atualizadas, mas apresentar artigos, entrevistas e 

reportagens que revelassem os problemas da sociedade 

brasileira e os inconvenientes do regime militar. Esses 

jornais eram lidos avidamente por estudantes, professores, 

pessoas de classe mdia e operrios politizados. Apresentavam 

anlises crticas serssimas utilizando uma linguagem leve 

at humorstica.

  Artistas populares se engajaram diretamente na luta pela 

democracia. Casos de Chico Buarque de Hollanda e Milton 

Nascimento, que propunham msicas de crtica sutil  

ditadura.

  No final dos anos 70, os estudantes universitrios voltaram 

a se mobilizar. O grande objetivo era reconstruir a UNE 

(Unio Nacional dos Estudantes). No famoso Congresso de 

Salvador (1979), dez mil estudantes participaram do ato de 

recriao da entidade. Era uma nova gerao que se temperava 

na luta contra a ditadura agonizante.

  Desde 1975 comearam a se formar os primeiros movimentos em 

favor da anistia poltica. Tudo comeou com um comit de 

mulheres que recolheu milhares de assinaturas de pessoas 

favorveis  anistia. O movimento foi crescendo e ganhou as 

ruas. Em 1977, estudantes de Porto Alegre fizeram a primeira 

manifestao pblica a favor da anistia. A AOB, os bispos e 

padres catlicos e a ABI apoiavam a luta pela {anistia ampla, 

geral e irrestrita}. Os artistas tambm se engajaram. O 

verdadeiro hino da anistia era a msica {O bbado e a 

equilibrista} (Aldir Blanc E Joo Bosco), cantada por Elis 

Regina, que falava {de tanta gente que partiu, num rabo de 

foguete} (os exilados), da {volta do irmo do Henfil} (o 

socilogo Betinho, tambm exilado), e lembrava que {choram 

Marias e Clarices} (as esposas de Manuel Fiel Filho e 

Vladimir Herzog, torturados e assassinados no Q. G. do Ii 

Exrcito).

  Inicialmente, o general Figueiredo declarou que no haveria 

anistia. Mas, diante do gigantesco movimento, no restou 

sada a no ser aprovar a lei (1979).



<P>

A inflao dispara



  Taxa de inflao anual (%)



  -- 1978: 41

  -- 1979: 72

  -- 1980: 110

  -- 1981: 97

  -- 1982: 100

  -- 1983: 210

  -- 1984: 224



  Uma das conseqncias da ditadura: a inflao crescente.



<286>

A reao da extrema direita



  Os militares linha-dura e os polticos de extrema direita 

naturalmente no aceitavam nada do que estava acontecendo no 

pas. Reagiram de modo duro, promovendo atos de terrorismo. O 

objetivo era apavorar as pessoas que lutavam por reformas 

democrticas e pressionar o governo favorvel  abertura 

poltica.

  Veja s o que os terroristas de extrema direita fizeram. 

Incendiaram bancas de jornal que ousavam vender jornais da 

imprensa alternativa. Tentaram explodir a sede da Editora 

Civilizao Brasileira, especializada em cincias humanas. 

Seqestraram e torturaram personalidade da luta pelos 

direitos humanos (advogados, membros da Igreja catlica, 

jornalistas). Em 1980, uma carta-bomba explodiu na OAB-RJ, 

matando a secretria do seu presidente. Pouco depois, outra 

bomba mutilou um funcionrio da Cmara Municipal do Rio.



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?

    Foto: Acidente. O que so-    o

  brou do Puma no atentado do      o

  Riocentro. {Acidente de traba-  o

  lho} do terrorismo da direita.    o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



<P>

  O episdio mais famoso foi o caso _Riocentro, no Rio de 

Janeiro (1980). Estava acontecendo um _show de msica popular 

comemorando o dia 1 de Maio. De repente, um carro explodiu 

no estacionamento. Havia dois homens dentro do veculo. Um 

morreu na hora e o outro foi levado ferido para o hospital. 

Naquela poca, a censura estava abrandada e a imprensa pde 

publicar algumas descobertas. Para comear, os dois 

indivduos no carro eram militares. Por que a bomba explodiu 

no colo de um deles? (Um sargento do exrcito especializado 

em... explosivos!) Por que as sadas de emergncia estavam 

misteriosamente trancadas por fora? Para a maioria das 

pessoas que acompanhavam o caso, no havia dvida: tinha 

acontecido um {acidente de trabalho}. A dupla estava 

preparando um atentado terrorista quando se atrapalhou e 

deixou que o artefato detonasse.

<P>

  O exrcito assumiu o caso, investigou, fez reunies 

secretas e... concluiu que os dois tinham sido {vtimas de um 

atentado}. O sargento foi enterrado com honras militares, 

morto em combate contra o comunismo internacional...

  Naquele momento, muitos se perguntavam: o que iria 

acontecer com o Brasil? O pas voltaria a ser democrtico? A 

linha-dura iria assumir o poder com um novo {golpe dentro do 

golpe} e reinstalar uma ditadura feroz? A extrema direita 

teria o poder de impor sua vontade? Que fora social teria 

capacidade de abalar decisivamente o regime? As pessoas se 

entreolhavam angustiadas: e agora?



O domnio global



  A televiso foi instalada no Brasil em 1950. Nos anos 70, a 

TV j era um fenmeno de massas: at mesmo pessoas pobres nas 

favelas tinham um aparelho. A famosa Rede Globo viveu um 

espetacular crescimento exatamente durante os anos do regime 

militar. Simples coincidncia ou a empresa foi beneficiada 

pelo governo militar? Para o historiador norte-americano 

Thomas Skidmore, {sua expanso foi abertamente favorecida 

pelos governos militares. (...) Em troca, a Rede Globo seguia 

uma poltica de programao estritamente pr-governo}.

  Para alguns analistas, a Rede Globo, por meio dos seus 

noticirios, programas e novelas, feitos com alta tecnologia, 

teria o poder de manipular informaes e moldar a conscincia 

de milhes de brasileiros. Talvez haja verdade nisso. Mas  

bom lembrar que as podem mudar de canal ou ento interpretar 

de maneira diferente a mensagem que recebem, no  mesmo?



<P>

<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*

    Gravura: pessoas humildes a   o

  mesa, assistindo a TV no       o

  canal da Globo com um prato     o

  vazio em cima da mesa.           o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieie

<F+>



<287>

Mais tempo menos salrio



  Quanto um operrio que recebe salrio mnimo precisa 

trabalhar para comprar a rao alimentar mnima mdia por ano



  -- 1965: 88 h 16 m

  -- 1966: 109 h 11 m

  -- 1967: 105 h 16 m

  -- 1968: 101 h 35 m

  -- 1969: 110 h 23 m

  -- 1970: 105 h 13 m

  -- 1971: 111 h 47 m

  -- 1972: 113 h 8 m

  -- 1973: 147 h 4 m

  -- 1974: 163 h 22 m

  -- 1975: 149 h 40 m

  -- 1976: 157 h 29 m



  Observe como a partir de 1965 era preciso trabalhar cada 

vez mais para comprar as mesmas coisas. A partir de 1973 a 

situao ficou pior ainda.



O movimento operrio



  Saab-Scania, multinacional sueca de salrios brasileiros, 

localizada em So Bernardo do Campo (SP). So 7 horas da 

manh, dia 13 de maio de 1978, sexta-feira. Os diretores e 

executivos observam e no acreditam no que vem: os operrios 

esto ali, bateram carto de ponto, mas nada funciona. Braos 

cruzados, mquinas paradas. E com o peo parado nada funciona 

na empresa.

  A greve. Apesar de toda a proibio da ditadura, os 

trabalhadores pararam. No suportavam mais os aumentos de 

preos e os baixos salrios. Dali daquela fbrica, o 

movimento se espalhou como o fogo no matagal seco, atingindo 

inmeras cidades paulistas, contagiando dezenas de milhares 

de trabalhadores.

  O setor mais organizado era o dos operrios das grandes 

indstrias de automveis e de equipamentos mecnicos no ABC 

paulista (cidades de Santo Andr, So Bernardo e So 

Caetano). O principal lder operrio era o presidente do 

Sindicato de Metalrgicos de So Bernardo do Campo, Lus 

Incio da Silva, conhecido pelo apelido de _Lula.



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?

    Foto: Lula dirigiu o mais   o

  organizado do movimento sin-    o

  dical da histria do Brasil.   o

eieieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



  Os patres tiveram de negociar e prometeram atender a 

algumas reivindicaes dos trabalhadores. Mas o acordo no 

foi cumprido pelas empresas. Por causa disso, em 1979, 

voltaram a acontecer grandes greves.

<P>

  O movimento dos metalrgicos do ABC estimulou os protestos 

de outros setores. Aconteceram greves de bancrios, de 

motoristas de nibus, de professores e de mdicos. De uma 

hora para outra o pas parecia ter acordado e se lembrado da 

poderosa arma de luta que  a recusa em trabalhar at que os 

empresrios aceitem renegociar o contrato de trabalho.

  O governo, os empresrios e os militares de linha-dura 

acreditaram que era preciso destruir o ameaador movimento 

sindical. Quando estourou nova greve no ABC, em 1980, 

aconteceu uma verdadeira operao de guerra do Estado contra 

os trabalhadores. Por ordens do governador Paulo Maluf (homem 

de confiana do regime militar), foram enviados quase dez mil 

soldados da PM para So Bernardo. O exrcito mobilizou 

tropas, caminhes e veculos blindados para ocupar a cidade. 

Luta e seus companheiros foram pesos pela polcia federal e 

mantidos incomunicveis.

  O pas acompanhava os fatos. Muita gente prestou 

solidariedade aos operrios. Nas ruas, nas Comunidades 

Eclesiais de Base (ligadas  Igreja catlica), nos outros 

sindicatos, nas universidades, as pessoas colhiam donativos e 

enviavam mantimentos para os trabalhadores parados. O msico 

Chico Buarque de Hollanda, por exemplo, organizou _shows para 

recolher recursos para sustentar as famlias dos grevistas 

(que obviamente estavam sem receber salrio). Polticos de 

esquerda, advogados e jornalistas faziam o possvel para 

apoiar os grevistas.

  O governo militar havia prendido Lula e seus companheiros 

da direo sindical porque acreditava que, sem lderes, o 

movimento recuaria. Mas estavam enganados! A greve continuou 

porque estava muito bem organizada. Desafiando as ordens do 

general comandante do Ii Exrcito, mais de cem mil 

trabalhadores ocuparam a praa em frente  igreja matriz de 

So Bernardo. No dia seguinte, a polcia e o exrcito se 

retiraram da cidade. Na grande batalha entre os operrios e 

as foras da represso poltica do regime, o proletariado 

tinha levado a melhor.

  A lei ditatorial proibia as greves. Na prtica, os 

trabalhadores do ABC botaram a lei antigreve na lata do lixo. 

A partir daquele momento, ficou claro que o governo no teria 

mais condies de evitar as manifestaes populares. 

Portanto, estava com os dias contados.



<288>

Novos partidos



  Voc se lembra de que, a cada eleio, o MDB conseguia mais 

votos. Por causa disso, em 1979, Figueiredo decretou que a 

Arena e o MDB no poderiam existir mais. Agora, teriam de ser 

criados novos partidos.

<P>

  Os homens da Arena rapidamente criaram o {Partido 

Democrtico Social (PDS)}. Portanto, o partido que apoiava o 

regime militar passava a ser o PDS. Faziam parte do PDS 

indivduos como Paulo Maluf, Jos Sarney, Antnio Carlos 

Magalhes, Marco Maciel e o jovem e ainda desconhecido 

Fernando Collor de Mello.



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?

    Foto: na campanha para se-     o

  nador (1978), Fernando Henri-  o

  que Cardoso teve apoio da        o

  esquerda, mas tambm de artis-    o

  tas, como a atriz Bruna Lom-    o

  bardi ( frente) e de polti-     o

  cos do PMDB, como Orestes      o

  Qurcia (atrs).                 o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



<P>

  A maioria dos membros do antigo MDB considerava que os 

opositores deveriam estar todos unidos contra o regime e 

unidos num nico partido. Desse modo, o MDB se tornou o PMDB. 

A grande liderana do PMDB era o deputado Ulysses Guimares, 

uma figura lendria na luta contra as arbitrariedades do 

regime militar. A grande maioria do PMDB era formada por 

democratas liberais, como o prprio Ulysses e Itamar Franco, 

por social-democratas de esquerda, como o socilogo Fernando 

Henrique Cardoso, e at por membros do PCB e do PC do B 

(partidos ainda clandestinos).

  Existiu um partido de vida curta. Foi o PP (Partido 

Popular), tambm conhecido como o {partido dos banqueiros}, 

porque havia alguns dirigentes que eram proprietrios de 

bancos. O PP se apresentava como um partido liberal 

conservador, uma espcie de alternativa ao PDS. Seu principal 

nome era Tancredo Neves. Pouco depois de sua fundao, o PP 

se uniu ao PMDB.

  O Partido Democrtico Trabalhista (PDT) foi fundado por 

Leonel Brizola e seus companheiros. Eles queriam um partido 

que misturasse os ideais trabalhistas e nacionalistas com os 

ideais da social-democracia europia.



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*

    Foto: Brizola. A volta de     o

  Leonel Brizola do exlio foi     o

  triunfal: elegeu-se governa-       o

  dor do Rio de Janeiro em 1982.  o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieieie

<F+>



  Originalmente, Brizola queria recriar o PTB. Mas o governo 

militar manobrou para que a sigla PTB ficasse nas mos da 

pouco expressiva Ivete Vargas. Desse modo, o novo PTB tinha 

pouco a ver com o antigo. At mesmos antigos polticos da UDN 

e da extinta Arena entraram para o PTB para concorrer a 

eleies. Para alguns analistas, o PTB tinha se tornado quase 

{uma filial do PDS}.

  O Partido dos trabalhadores (PT) foi uma grande novidade na 

vida poltica brasileira. Ele foi fundado pelos novos lderes 

sindicais que tinham surgidos nas batalhas dos ltimos anos, 

como Lula (metalrgico) e Olvio Dutra (bancrio). Tambm 

recebeu apoio de importantes intelectuais, professores 

universitrios e antigos exilados polticos. Politicamente, o 

PT reunia desde seguidores do marxismo ortodoxo a 

social-democratas. Declarava-se {socialista}, mas no definia 

o que era o socialismo (criticava o modelo burocratizado da 

URSS e do Leste Europeu). Houve grande simpatia e aproximao 

de setores da Igreja catlica ligados  Teologia da 

Libertao ao PT.



<P>

Diretas para governador



  Desde 1965 que no havia mais eleies diretas para 

governador no Brasil. Finalmente, em 1982, o povo brasileiro 

voltou a escolher os governadores. A campanha eleitoral foi 

muito animada, incluindo os primeiros grandes debates 

polticos da histria da televiso brasileira. Nos trs 

estados mais industrializados e ricos do Brasil, a vitria 

foi da oposio: Franco Montoro (PMDB-SP), Leonel Brizola 

(PDT-RJ) e Tancredo Neves (PMDB-MG).

  Nas eleies para deputados federais e senadores, a 

oposio teve milhes de votos a mais do que o PDS. Acontece 

que o nmero de deputados federais que cada estado elege no 

 proporcional ao nmero de eleitores. O pacoto de abril de 

1977, baixado por Geisel manteve essa situao. Nos estados 

do Sul e do Sudeste, onde tinha maioria, a oposio precisava 

de dezenas de milhares de votos para conseguir eleger um 

nico deputado. Nos estados do Norte e do Nordeste, onde a 

oposio era minoria, o PDS precisava de uns poucos milhares 

de votos para eleger um deputado. Sacou? Somando o total de 

votos do pas, o PDS tinha menos do que a oposio. Mas como 

concentrou muitos votos em estados onde no precisava de 

muito voto para se eleger, o PDS acabou tendo a maioria dos 

deputados federais no Congresso. Matemtica da ditadura: a 

oposio tinha mais votos e menos deputados...



<289>

Diretas j



  Agora, o pas inteiro se perguntava: quem seria o novo 

presidente, o sucessor de Figueiredo?

  Pelas regras do regime (a Constituio de 1967, com todos 

os acrscimos autoritrios de 1969 ao pacoto de abril de 

1977), o presidente deveria ser escolhido pelo _Colgio 

_Eleitoral. Ou seja, o Colgio Eleitoral era formado pelos 

nicos brasileiros que podiam escolher o presidente. E quem 

eram esses? Para comear, o Congresso Nacional (os deputados 

federais e os senadores, incluindo os binicos). A maioria 

era do PDS (acabamos de ver como isso foi possvel). Alm 

disso, tambm havia deputados estaduais. Cada estado podia 

enviar seis deputados. Quem eram esses? Os mais votados? No! 

Eram os que faziam parte do partido mais votado naquele 

estado. Portanto, em inmeros estados com poucos eleitores, 

do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, vinham dezenas de 

deputados estaduais... do PDS, resumindo: a maioria dos 

membros do Colgio Eleitoral era do PDS. O que significava 

que o prximo presidente seria do PDS, o partido do regime 

militar.



<P>

<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*

    Foto: manifestao polti-    o

  ca. O movimento Diretas J    o

  organizou os maiores comcios    o

  de toda a histria do pas.      o

  Em So Paulo e no Rio de     o

  Janeiro, mais de um milho de   o

  pessoas ocuparam as ruas. Mas   o

  a TV mostrou muito pouco...    o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieie

<F+>



  E quem deveria ser o prximo presidente? Depois de inmeras 

disputas internas, o PDS designou Paulo Stalim Maluf como seu 

candidato oficial. O problema  que havia uma grande rejeio 

popular a Maluf. Naquela poca, as pessoas o associavam a 

todas as perverses do regime militar: autoritarismo, 

corrupo, favorecimento dos ricos e ausncia de uma poltica 

voltada s camadas sociais mais baixas. Bem, Maluf era tudo 

isso que o acusavam? Esta  uma questo para os eleitores de 

hoje decidirem. Mas no havia dvidas de que suas ligaes 

com o regime contribuam para que tivesse uma imagem poltica 

to negativa.

  S havia um modo de evitar que um homem ligado ao regime 

militar fosse presidente: se o povo tivesse direito de 

escolher o presidente. Ou seja, se o pas voltasse a ter 

eleies diretas para presidente. Para isso, era necessrio 

mudar a Constituio. Se dois teros do Congresso Nacional 

concordassem, a Constituio poderia ser alterada. Mas como 

convencer os congressistas a mudar a Constituio? Por meio 

de manifestaes populares.



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?

    Foto: Ulysses Guimares foi  o

  um dos principais articulado-     o

  res da campanha Diretas J.     o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



<P>

  A campanha _Diretas _J (em 1984) foi o maior movimento 

popular de toda a histria do Brasil. Nas escolas e 

universidades, nas ruas, nos escritrios e oficinas, nos 

trens e nas filas, o pas inteiro manifestava seu apoio. Os 

grandes polticos da oposio formaram uma grande corrente: 

Ulysses Guimares, Lula, Fernando Henrique Cardoso, Itamar 

Franco, Brizola, Miguel Arraes, Tancredo Neves... Passeatas, 

_shows musicas, debates, panfletagens, tudo era feito para 

esclarecer as pessoas e unir a populao em torno do grande 

ideal: conquistar do direito bsico de escolher o presidente. 

Aconteceram os maiores comcios de nossa histria. Na 

Candelria (Rio de Janeiro) e na praa da s (So Paulo), 

concentraram-se mais de um milho de pessoas!

<P>

  Nem todos estavam a favor. Por exemplo, os crticos do 

regime chegaram a acusar a Rede Globo de Televiso de, 

atravs do _Jornal _Nacional, conceder mais ateno  

candidatura de Maluf do que aos comcios das Diretas J.

  Finalmente, no dia 25 de abril de 1984, o Congresso 

Nacional se reuniu para votar a Emenda Dante de Oliveira, que 

restabeleceria as eleies diretas para presidente da 

Repblica.

  Nervoso, o general Figueiredo decretou estado de emergncia 

em Braslia. O general Newton Cruz, considerado de 

linha-dura, assumiu o comando da cidade. Pessoas vestidas de 

amarelo (smbolo das diretas) podiam ser presas. As rdios e 

as tevs foram proibidas de transmitir a votao dos 

deputados. No podiam informar a populao! Apesar disso, as 

linhas telefnicas no foram cortadas.



<P>

<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*

    Foto: Maluf. O rico empre-  o

  srio paulista Paulo Stalim    o

  Maluf foi um dos homens de      o

  confiana do regime militar.     o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieie

<F+>



  O pas inteiro roeu unhas aguardando os votos dos 

deputados, um por um. No final, por apenas 22 votos, a emenda 

foi derrotada. Na contagem final, 298 deputados votaram a 

favor, 65 contra, 3 se abstiveram e 112 simplesmente no 

compareceram.



A eleio de Tancredo



  Uma ducha fria na populao... Mas, nos bastidores, as 

lideranas do PMDB j manobravam junto a alguns lderes do 

PDS. Naquele momento, Maluf era to impopular que at mesmo 

os polticos do PDS temiam que ela se tornasse presidente. 

Ento, um nmero importante de membros do PDS, liderados pelo 

senador maranhense Jos Sarney, se retirou do partido. Mais 

tarde, formariam o {Partido da Frente Liberal} (PFL). Sarney 

e seu grupo se aproximaram do PMDB e montaram um acordo 

poltico.

  Seguindo as regras do prprio regime, _Tancredo _Neves 

(PMDB) foi eleito presidente, com o apoio daqueles 

dissidentes do PDS. Tancredo recebeu 480 votos contra apenas 

180 dados a Maluf (um dos que votaram em Maluf foi o deputado 

do PDS de Alagoas, Fernando Collor). Apenas os deputados do 

PT (eram bem, poucos) se recusaram a participar da votao no 

Colgio Eleitoral, por consider-la uma {traio ao movimento 

Diretas j}.



Moderado e liberal



  Tancredo Neves nasceu em Minas Gerais (1910). Fez parte do 

antigo PSD, tornou-se ministro da Justia no ltimo governo 

de Vargas e assumiu um importante cargo de assessor junto ao 

presidente Juscelino Kubitschek. No tempo do parlamentarismo 

(presidncia de Jango), foi primeiro-ministro. No regime 

militar, elegeu-se senador pelo MDB (1978) e governador de 

Minas Gerais (1978). Favorvel  democracia liberal, era 

famoso pela habilidade em conseguir acordos entre correntes 

polticas divergentes. Essa capacidade de negociador e de 

moderador foi decisiva para sua escolha como o presidente que 

deveria fazer a transio entre a ditadura militar e a Nova 

Repblica.



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?

    Foto: Tancredo Neves. Era   o

  um poltico mineiro conhecido     o

  pela moderao e pela             o

  capacidade de montar acordos      o

  polticos entre o governo e a     o

  oposio.                         o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



<291>

<P>

Sarney



  Em maro de 1985, na vspera da posse, Tancredo Neves 

passou mal. Internado no hospital com uma forte infeco no 

intestino, no resistiu e faleceu. _Jos _Sarney, eleito 

vice, tornou-se presidente da Repblica. Ironia da histria: 

Sarney, poltico ligado  ditadura militar,  que deveria 

conduzir o pas ao fim do regime.

  No comeo, Sarney se tornou muito popular por causa do 

Plano Cruzado (1986), conduzido pelo ministro Dlson Funaro. 

Para combater a inflao herdada do regime militar, o governo 

de surpresa, anunciou que todos os preos estavam congelados. 

Ningum poderia aumentar nem os preos nem os salrios. Nos 

primeiros meses, a medida pareceu funcionar. As donas de casa 

({fiscais do Sarney}) aderiram entusiasmadas e denunciavam os 

aumentos nos supermercados. Pela primeira vez em muitos anos 

a inflao parecia domada. Aos poucos comeou a ficar claro 

que a medida tinha sido muito artificial. A inflao voltou 

indiretamente. Por exemplo, o sorvete continuava custando 1 

cruzado, mas tinha cada vez mais gua e menos gosto... Os 

produtos desapareceram das prateleiras, a no ser que o 

comprador pagasse por fora (gio). Ou seja, comeou a surgir 

o mercado negro. Uma semana depois das eleies de novembro 

de 1986 (vencidas pelo PMDB de Sarney), o governo enunciou o 

descongelamento dos preos.

  No final do governo Sarney a situao do pas era 

lastimvel. A inflao anual transformou-se em hiperinflao. 

Em 1989, chegaria 1.900%! (Por exemplo, um refrigerante em 

janeiro de 1989 custava 2 cruzados novos, em dezembro do 

mesmo ano j custava 28 cruzados novos!) Em 1988 a economia 

teve crescimento negativo, ou seja, diminuiu de tamanho 

(recesso).  claro que {os graves problemas econmicos 

tinham sido criados ou reforados durante a ditadura 

militar}. Neste sentido, o governo de Sarney no teve 

{culpa}. De qualquer modo, a oposio o criticava por no ter 

encontrado o {remdio} necessrio para enfrentar a crise.



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*

    Foto: Sarney. O maranhense    o

  Jos Sarney foi o lder da       o

  Arena e, depois, do PDS, par-   o

  tidos de apoio ao regime mili-     o

  tar. Em 1984, rompeu com o       o

  PDS foi para o PMDB e acabou   o

  presidente do Brasil.             o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieieie

<F+>



  Eventualmente o governo Sarney teve algumas {recadas dos 

tempos da ditadura}. Por exemplo, em 1988 os metalrgicos da 

usina de ao de Volta Redonda (RJ) entraram em grave. O 

exrcito invadiu atirando e matou trs operrios.

<P>

  Porm, de modo geral, Sarney cumpriu seu compromisso com a 

nao. A censura poltica foi suspensa, o PCB e o PC do B 

foram legalizados, realizaram-se eleies diretas para 

governadores (1986) e para a escolha dos membros da 

Assemblia Constituinte (1987). Em 1988, o Brasil ganhou a 

Constituio mais democrtica de nossa histria (veremos em 

detalhes a seguir). Naquele momento, a longa e tenebrosa 

noite da ditadura militar finalmente chegou ao fim.



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*

    Charge de Chico Caruso (_O   o

  _Globo, junho de 1987) mostra    o

  o presidente Sarney como o        o

  cavaleiro que mata o drago        o

  da inflao. Os remendos          o

  mostram que, na verdade, o         o

  drago estava vivo e forte...      o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieieie

<F+>



<292>

<P>

O campo e a cidade



  No Brasil, a maioria das terras pertence aos 

latifundirios. Por isso, milhes de camponeses sem terra 

partiram para tentar a sorte nas cidades grandes. Fugindo da 

misria, muitas famlias nordestinas foram viver em 

metrpoles como So Paulo e Rio de Janeiro. Em 1970, a 

maioria dos brasileiros j vivia na cidade, e no no campo. 

Atualmente, mais de 80% da populao  urbana.

  Nas cidades grandes, os novos imigrantes s conseguiam 

empregos com baixos salrios: operrio na construo civil, 

faxineiro, carregador, etc. Construam barracos nos morros e 

periferias, formando imensas favelas. Durante o regime 

militar, o governo no se preocupou em abastecer as favelas 

de gua, luz, esgoto, escolas ou postos de sade. Essa 

situao s comeou a mudar um pouco com a redemocratizao 

do pas. Por exemplo, o governador Brizola (RJ) foi pioneiro 

na instalao de servios pblicos nas favelas cariocas.



Texto Complementar



  O economista e professor universitrio Paul Singer  um dos 

mais importantes analistas do desenvolvimento econmico do 

Brasil das ltimas dcadas. Nesse texto, ele analisa as 

caractersticas do modelo econmico adotado pelo regime 

militar, especialmente nos tempos do {milagre} (1968-1973):



  {As caractersticas do _modelo eram bem conhecidas: 

abertura da economia ao exterior, mediante estmulos s 

exportao de capital, tanto sob a forma de investimento como 

o de emprstimos, expanso do crdito ao consumidor; estmulo 

 poupana interna mediante a correo monetria das taxas de 

juros, poltica salarial e trabalhista capaz de proporcionar 

s empresas mo-de-obra barata, abundante e bem disciplinada 

(...).

  Na verdade, o _modelo comeou a fazer gua em 1973, quando 

a inflao, que vinha declinando vagarosamente, voltou a 

crescer com mpeto. (...) Os salrios foram reajustados (...) 

em nveis inferiores  elevao do custo de vida. (...)

  O resultado geral dessas medidas foi, como no podia deixar 

de ser, uma queda acentuada da demanda (da procura por bens), 

que se refletiu numa reduo cada vez mais grave (...) das 

vendas dos bens de consumo}.



  (Singer, Paul. {A crise do _milagre}. 4 ed. Rio de 

Janeiro: Paz e Terra, 1981, pp. 163-164.)



  A partir do que  apresentado pelo autor do texto acima, 

procure responder:



  1. qual foi a relao que existiu entre a economia 

brasileira e a economia internacional durante o perodo do 

{milagre}?



  2. Qual foi a primeira manifestao da crise desse modelo 

econmico?



  3. Indique a medida imediata adotada pelo governo militar 

para controlar a inflao.



  4. Relacione as medidas do governo com a situao do 

mercado interno do Brasil.



  5. Qual foi a ligao que existiu entre a crise do 

{milagre} e o surgimento do movimento sindical no ABC 

paulista em 1978-1981?



<293>

Exerccios de Reviso



  1. {Os chefes da revoluo vitoriosa (...) (vo) cumprir a 

misso de restaurar no Brasil a ordem econmica financeira.} 

(Ato Institucional n.o I da Junta Militar, 7/4/1964.) Quando 

os militares derrubaram o presidente Joo Goulart, chamaram o 

acontecimento de {Revoluo de 1964}. Mas ser que todas as 

pessoas utilizam a palavra revoluo com o mesmo significado? 

No _Dicionrio _de _poltica, organizado pelo professor 

Norberto Bobbio, aparece a seguinte definio: {A Revoluo 

se distingue do golpe de Estado porque este se configura 

apenas com uma tentativa de substituio das autoridades 

polticas existentes (...) sem nada ou quase mudar dos 

mecanismos polticos socioeconmico.} De acordo com essa 

definio, o movimento de 1964 poderia ser chamado de 

revolucionrio? (Apresente sua anlise).



  2. {A 2 de abril de 1964, a burguesia comemorou a deposio 

do presidente Joo Goulart (...). Os empresrios (...), 

contentes com as aclamaes entusiasmo nas ruas e muito 

satisfeitos com seu trabalho anticomunista, conversavam com o 

general Heitor Herrera (...) sobre as qualidades que 

desejavam ver no prximo presidente do Brasil.} (Ren 

Dreifuss, cientista poltico.) Durante o perodo da ditadura, 

todos os governantes eram militares? Justifique sua resposta.



  3. {O exrcito no admitir que arruaceiros infiltrados no 

meio estudantil se aproveitem dos verdadeiros estudantes para 

agitar o pas.} (Oficiais do exrcito ao _Jornal _do _Brasil, 

abril de 1968.) Caracterize o AI-5 (Ato Institucional n5), 

de dezembro de 1968, e explique os motivos para sua 

decretao pelo governo militar.



  4. {Violncia contra violncia. A nica soluo  o que 

agora faremos: empregar a violncia contra aqueles que 

primeiro a usaram para atacar o povo e o pas.} (Carlos 

Marighela, dirigente da ALN.) Imediatamente aps o AI-5, qual 

foi a principal forma de resistncia  ditadura militar?



  5. {(...) foi conduzido s dependncias do DOI-Codi, onde 

(...) aps tomar um banho pendurado no pau-de-arara, onde 

recebeu choques eltricos (...) em seus rgos genitais e por 

todo o corpo (...).} (Relatrio _Brasil _nunca _mais.) 

Analise o regime militar em termos de respeito aos direitos 

humanos.



  6. Caracterize o {milagre econmico} (1968-1973) e indique 

as crticas que eram feitas ao {modelo econmico} do governo 

militar.



  7. Compare a poltica econmica durante o regime militar e 

durante o governo de Juscelino Kubitschek (1956-1960), 

levando em conta: o papel do Estado, o apoio  indstria e o 

papel do capital estrangeiro. De modo geral, havia 

semelhanas ou diferenas bsicas?



<294>

<P>

  8. {Foi um processo lento. Como estava previsto, porque 

havia, evidentemente, foras contrrias  transio. Havia, 

dentro da rea militar, uma rea mais intransigente (...). E 

havia reas da prpria oposio que pensavam em derrubar o 

governo (...).} (General Ernesto Geisel, depoimento a Ronaldo 

Costa Couto.) Diga qual era o objetivo poltico da {distenso 

lenta e gradual} (Geisel) e da {abertura poltica} 

(Figueiredo).



  9. {(...) foi o amadurecimento do povo (...) rejeitando os 

mtodos violentos e buscando formas de afirmao da 

liberdade.} (Dom Luciano Mendes de Almeida, bispo catlico.) 

Analise o perodo final da ditadura e apresente os principais 

motivos para que o regime tivesse chegado ao fim.



<P>

  10. Analise os grficos das pginas 281 e 285 (do livro em 

tinta) e caracterize a situao econmica do Brasil no final 

do regime militar.



  11. {A campanha das Diretas j (...) era uma coisa que 

precisava ser combatida.} (Jos Sarney, depoimento a Ronaldo 

Costa Couto.) Explique o que foi a campanha Diretas j (1984) 

e qual foi o resultado dela.



  12. {(...) Tancredo descobriu que, pela via indireta, ele 

poderia se transformar no homem que daria, inclusive, 

tranqilidade aos militares.} (Lula, depoimento a Ronaldo 

Costa Couto.) {(...) O PT era contra Tancredo. No votou 

nele. Eu, ao contrrio, preferi evitar a eleio de Maluf. 

Achava que, com a eleio do Tancredo, haveria logo a 

transio democrtica.} (Fernando Henrique Cardoso, {O Brasil 

do possvel}.) Mostre como Tancredo Neves foi eleito 

presidente da Repblica (1985).



  13. Diga o que foi o Plano Cruzado criado durante o governo 

do presidente Sarney e indique quais foram os resultados. Por 

que se pode dizer que o governo de Sarney representou a 

transio do regime autoritrio para o regime democrtico?



  Foto: Jovens nas ruas con-

tra a ditadura, em 1968. O 

que estaro fazendo hoje? 

Seus filhos se interessam por 

poltica?



<295>

Reflexo Crticas



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?

    Foto: Soldados que acredita-  o

  vam estar {salvando a ptria}.    o

  Mas s os ricos no tiveram      o

  medo. Depois do servio, o       o

  soldado saa do quartel e         o

  voltava para casa na favela.      o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



  1. Leia os seguintes depoimentos colhidos em conversas 

informais: {Ao utilizar a violncia armada, os grupos 

guerrilheiros mostravam que no eram diferentes dos 

torturadores}; {O exrcito tinha de utilizar violncia porque 

a oposio estava sendo violenta}; {Os dois lados eram 

iguais, ambos se valiam das armas}; {Se os guerrilheiros 

vencessem, implantariam uma ditadura stalinista. Por isso, no 

final das contas, foi melhor o governo militar}; {A ditadura 

militar no tinha mortal para escolher as armas com que 

deveria ser combatida}. O que voc pensa sobre essas idias? 

Concorda? Discorda? Por qu? Debata com seus colegas.



  2. Hoje em dia, no h presos polticos no Brasil. Mas ser 

que a tortura desapareceu? Voc acha que a polcia tem o 

direito de torturar em criminoso comum?



  3. Durante o governo do general Geisel, o Brasil assinou 

acordos de cooperao com a Alemanha para a construo de 

usinas nucleares em Angra dos Reis (RJ). Faa uma pesquisa 

sobre o acidente nuclear em Chernobyl e depois debata as 

vantagens e as desvantagens da instalao das usinas 

nucleares no Brasil.



  4. Voc considera de uma ditadura pode prejudicar sua 

felicidade individual? Ou a felicidade depende apenas do 

indivduo, pouco importando o regime poltico e a situao 

social do pas em que se vive? Debata com seus colegas.



  5. {(...) entende-se por sociedade civil a esfera das 

relaes entre indivduos, entre grupos, entre classes 

sociais, que se desenvolvem  margem das relaes de poder 

que caracterizam as instituies estatais.} (Norberto Bobbio, 

cientista poltico italiano, sculo Xx.) Socilogos e 

cientistas polticos afirmam que nos pases democrticos 

existe independncia das instituies da sociedade civil em 

relao ao Estado. Utilizando essas idias, analise as 

ligaes entre os sindicatos e o Estado durante a ditadura do 

Estado Novo (1937-1945) de Vargas e durante a ditadura 

militar (1964-1985). Depois, debata com seus colegas: de que 

modo a sociedade civil pode agir para ampliar os direitos 

democrticos?



  6. Nos anos 70 e incio dos 80, muitas msicas de Chico 

Buarque de Hollanda, Milton Nascimento, entre outros, 

continham mensagens polticas, crticas sutis. Faa uma 

pesquisa, selecione msicas, analise e mostre quais so as 

passagens em que se percebe uma crtica poltica e social. 

Depois, debata: a msica deve transmitir mensagens polticas?



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